Qualificação como instrumento para a autoestima
A profissionalização transforma vidas e pessoas, além de movimentar a economia brasileira
A intermediação de mão de obra é um assunto atual, efervescente, que a cada dia vem ganhando espaço em esferas dos Governos Estaduais, otimizando a instalação de departamentos setoriais dentro dos Estados, com a finalidade de assegurar a empregabilidade a um número significante de pessoas qualificadas pelos programas demandados pelo Governo Federal.
Como coordenadora de inserção do Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC) é gratificante sentir que o Governo Federal vem trabalhando intensamente para promover a criação de oportunidades de trabalho, emprego e renda para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade frente ao mundo de trabalho, por meio de qualificação sócio-profissional com vistas à inserção na atividade produtiva, dando-lhes, ainda, a oportunidade da retomada da dignidade e da cidadania, a conscientização de suas capacidades e competências.
Assim, dentro de sala de aula, observo a cada visita, o pulsar latente daqueles alunos, com os olhos não mais ofuscados, mas com muito brilho, na esperança de que, a partir daquela etapa vencida, poderão se tornar cidadãos capazes de enfrentar os desafios do mundo profissional.
Histórias e depoimentos emocionantes marcaram a minha vida. Pessoas que, antes, não tinham perspectiva profissional e que, após o curso, conseguiram enxergar que, além de ter valido a pena o sacrifício de enfrentar uma sala de aula, após um dia de serviço, quer seja em suas próprias residências, quer seja em serviços eventuais, conseguiram perceber que as oportunidades não são fantasmas, mas sim realidades.
Depoimentos de pessoas que já não acreditavam que poderiam viver um mundo melhor. Daquelas que da doença passaram para a saúde através da experiência do conviver com outras pessoas que também tinham suas particularidades, seus problemas e seus desejos e que souberam passar por tudo isto com a maior serenidade: da oportunidade de saber que todos vivem alegrias, tristezas, turbulências e que tudo é suportável, porque não tem nada que o ser humano não se adapte. E que a vida é uma busca constante, não somente do bem material, mas do bem maior que é a saúde de corpo e de espírito. E para que a saúde nos seja concedida precisamos estar constantemente exercitando a nossa paciência, a nossa confiança e o nosso desejo de viver a vida em sua intensidade.
A tarefa de diminuir o índice de desemprego é árdua, tendo em vista que se inicia quando entramos em sala de aula e colocamos toda a nossa energia positiva com a finalidade de motivar a permanência dos alunos, naquele momento, ainda sem muita segurança de que aquele processo lhes assegurará a subida de mais um degrau na escala.
Quando entramos em sala de aula e percebemos um olhar esperançoso, nos conscientizamos da responsabilidade assumida com a promoção dessas pessoas que já sofreram tudo suportável a um ser humano.
Fantástico mesmo, e que aconteceu com milhares de pessoas que passaram pelos Programas de Qualificação, foi perceber o antes, onde eram órfãos, frágeis e, depois, dignificados, conscientes e, sobretudo, munidos de uma ferramenta maior que é o aprendizado para a escolha de seu próprio caminho, iluminado, primeiro, pela fé, depois, pela vontade de viver intensamente a vida que lhes foi ofertada.
A equipe do IMDC, ao final de cada programa, recebe o GRANDE PRÊMIO: a oportunidade de colaborar com o desenvolvimento dos participantes dando-lhes condições para gerar emprego e renda, tirando-lhes da vulnerabilidade frente ao mundo, sobretudo, a retomada da dignidade.
Márcia Tolentino
Coordenadora de Inserção do IMDC

















